domingo, 22 de julho de 2012

Eu sou você amanhã

A minha querida amiga Flavia Moretti me enviou recentemente dois vídeos que explicam um pouco sobre a evolução das gerações desde os baby boomers até a nossa, a geração blogueira e facebookiana cujos celulares soam de 5 em 5 segundos com atualizações de seja o que for. Ai vida severina... Enjoy!

We all want to be young - http://vimeo.com/16641689

All work and all play -  http://vimeo.com/44130258


segunda-feira, 16 de julho de 2012

Focinho


Antes de começarmos a sessão de instilação generalizada, gostaria de tecer algumas considerações (sempre quis usar “tecer considerações” faz parecer que sei alguma coisa do assunto) sobre a concretização mais espontânea e irracional da crítica: o palavrão.

Convenhamos que nada como um “táquipariu” às vezes para lavar a alma. O ”táquipariu”, talvez pelo seu caráter mais compacto, tem mais força e pujança do que o xingamento completo, é como em Portugal com o “da-sssss” em que o “fo” é eliminado completamente, que igualmente potencializa o efeito do xingamento. Talvez seja também por isso damos nomes curtos aos cachorros: repreender um cachorro chamado Lourival me parece ser muito mais difícil do que um chamado Borg. Mas enfim, estou me dispersando e isso não vem ao caso. 

Eu queria chegar mesmo era nas demonstrações de animosidade menos convencionais que, para alguns, parece ter o mesmo efeito catártico do que os palavrões mais cavernosos. A avó de uma amiga, vendo novela, gosta de proferir silabicamente e em tom de voz baixo a palavra “maldita” quando está perante uma cena daquelas em que a vilã está fazendo uma de suas maldades. Perante essa, arrisco a dizer que o negócio realmente parece estar na intensidade do ódio no momento do xingamento e se for em voz baixa é ainda pior.

O “rebento de mulher de ganho”, criação piadista do meu pai, é outra opção para quem não quer descer do salto, mas se arrisca a não ser compreendido, digo eu. Mas devo dizer que o exemplo mais estranho com que já me deparei, e que é representativo disso, é do meu querido e saudoso tio Cid. Noveleiro de plantão e levemente excêntrico, trazia à tona todo o seu ódio quando eram anunciadas as já extintas cenas dos próximos capítulos. 

Apenas a menção de qualquer dica do que estava por vir na novela o deixava em estado de pura fúria, que se concretizava em um movimento com as mãos que simulava uma tentativa de estrangulamento de um ser imaginário, apenas com o indicador e o polegar, estilo colchetes fechados, acompanhado pela misteriosa palavra que vinha do fundo da alma: FOCINHOOOOOO!

Explicações claras sobre o que ele queria dizer ninguém nunca soube ao certo. A hipótese mais provável que a família colocava era que focinho representaria um animal fuçando onde não era chamado, um ato animalesco de intromissão em assuntos que não lhe diziam respeito, um desrespeito inominável. Já o estrangulamento dispensa explicações.

Na época, do alto dos meus 7 anos de idade, ficava um tanto quanto chocada com essas cenas na sala de estar. Hoje, quando o sangue me sobe vendo certas coisas na tv, vejo a utilidade de um bom focinho proferido do fundo da alma, ou de uns bons colchetes fechados.

Gênesis

Começo por dizer que este blog pretende ser um espaço de reclamação, discussão e catarse. 
É um local para aqueles que sentem a úlcera aumentando quando, claustrofobicamente compactados no metrô de manhã, ouvem do condutor "agradecemos a sua preferência", ou quando vêem o sorriso extasiado da Sandra Annemberg anunciando que mais um panda nasceu em cativeiro no Zoológico de Pequim.

Enfim, este é um espaço sem tema e dedicado a picuinhices variadas. 

Cabe dizer que nesse espaço fica rejeitada a escrita em caps lock e palavrões cabeludos. Afinal, este é um espaço de classe, somos aquelas pessoas que chamam o outro de senhor nem que a seguir o chamemos de imbecil, damos tapa com luva de pelica, para usar uma expressão demodê.

Que se iniciem os jogos!